Para muitos, a experiência do Ciência sem Fronteiras também é a primeira experiência de morar sozinho. E mesmo para os mais experientes, uma nova variável é adicionada: morar sozinho em um país estrangeiro. Isso implica em não ter uma lavanderia dentro do apartamento, ter que cozinhar, fazer faxina, fazer supermercado (onde os produtos são diferentes), conviver com os housemates… E é aí que nós, pobres estudantes, vivemos entre máquinas jorrando água com sabão e macarrão com salsicha.
Um pobre CsF anônimo, foi fazer suas 1as compras de supermercado, e ao comprar o básico para sobrevivência de qualquer estudante (macarrão, carne moída e molho de tomate), resolveu fazer sua própria comida para o jantar e almoço no dia seguinte (comer na universidade é muito caro). Foi fazer sua carne moída no molho de tomate quando, de repente, sentiu um cheiro de queimado. Foi até a cozinha e lá estava a panela queimada e o mau cheiro. Eis que esta blogueira que vos escreve vai ao socorro do rapaz no dia seguinte, para ensinar-lhe a fazer uma carne moída. Quando olho a lata de molho, o diagnóstico: tomato soup!!! Igualzinha a do Andy Warhol… O coitado já começou com os ingredientes errados e terminou por deixar a carne na panela sem mexer…
Usar uma lavanderia coletiva, no início, é tarefa para poucos. Aí os TOC de plantão vão perguntar: “Mas, Aline, máquina que todo mundo põe a roupa não é nojento?” Sim, senhores, bastante. Mas a secadora é pior porque a sujeira fica grudada no filtro… E eu não sei de vem tanta sujeira, se a porcaria da roupa deveria estar limpa, mas ok. Na máquina tem dois lugares de colocar moeda: uma pra máquina e uma pra secadora, até eu descobrir isso, perdi alguns dólares. A cada vez que lavo roupa preciso levar 4 coisas:
1 – A roupa
2- As moedas
3- O sabão em pó
4- O cartão magnético/chave do apto
O que acontece quando eu esqueço uma dessas coisas? De baixo pra cima:
4- Fico trancada do lado de fora… é uma bosta, tenho q pedir pra alguém da recepção vir abrir.
3- Normalmente eu só percebo que esqueci esse item depois que enfiei todas as roupas na máquina, ou seja, nunca volto pra pegar o que me faz usar algum sabão em pó que esteja dando sopa na lavanderia. O problema foi quando eu usei o líquido e acabei colocando um pouquinho a mais e aí, já sabem, meio que inundei a lavanderia com água de detergente. Dava até pra brincar de escorregar no sabão… Peguei minhas roupas botei em outra máquina e fingi q não era comigo hahahaha (a água ia secar de qualquer jeito).
2- Malditas moedas… Essa eu tenho q voltar pra pegar. A não ser o dia que uma alma caridosa me deu 1 dólar no elevador.
1- Porra, nem sou tão esquecida assim!
E para encerrar o item roupa: CsF anônimo queimou metade das blusas tentando passar roupa… Ainda bem que eu não faço isso! Rááá
Outro desânimo para nós, pobre estudantes, perdidos no 1o mundo, é arrumar nosso cafofos. Eu, que não divido o quarto com ninguém tem total liberdade e privacidade de… fazer bagunça!!! O pior é que fica cada vez pior, por que a preguiça chama preguiça e quando a gente vê, a bagunça saiu do nosso controle. Mas eu ainda acho que existe um monstro da bagunça, uma espécie de bicho papão pós puberil, que invade nosso barraco a noite e joga nossa roupas no chão, deixa a louça acumulada no cantinho da mesa, a toalha molhada em cima da cama… Tem Csf anônimo que guarda cueca em cima da TV… Eu, por exemplo, comecei a ver o fato do Mike vir pra cá no fim de semana um incentivo para realizar a arrumação, ou como ele diz, colocar a bagunça em um nível aceitável. Mas, como diria minha housemate Miranda, se ficar limpo demais não parece um lar, parece mais um hotel. E eu tenho que concordar… Casa é aquele lugar que você volta todo dia e o hotel é só um canto que você passa uns dias enquanto está de férias.
Em suma (adoro essa expressão, porque suma parece sumo, que me lembra suco, que não tem natural aqui na Austrália hahaha), além de ter que estudar, temos que lidar com esse pequenos obstáculos do dia-a-dia, o famoso “se virar”. Como diria mamãe: “se vira, tu num é quadrado!”


