O mundo não é o nosso quintal

7 jul

A viagem foi longa. Até Portugal, foi algo como 9 horas. Aí ainda teve a fila na imigração, depois espera para o avião para Genebra. De Genebra, o trem para Lausanne foi um pouco traumático, pois o povo só faz falar francês e não há nenhuma informação sobre horários. Cheguei a estação principal de Lausanne e ainda fui para o metrô para chegar aqui em Ouchy. E depois andar uns 15 minutos até a acomodação, que também não tem sinalização alguma. Isso tudo com 2 malas. Aí chegando aqui, depois de tudo isso, eu nao sabia como pegar a chave (isso porque eu não li o email rs) e fiquei uns 20 minutos pensando na vida. Como se não bastasse, começou a chuviscar. Era a droga da lei de Murphy, me dando boas vindas.

Até que a Irene e a Roxana me encontraram e me mostraram tudo (ufa). A Roxana foi um anjo na terra e ainda me ajudou a carregar a mala por 5 andares (elevador quebrado), além disso ela é minha roomate. No fim, uma viagem de mais ou menos umas 15 horas, duas malas e pés inchados terminou com uma boa noite de sono.

No dia seguinte foi a apresentação do curso. Eles vieram nos encontrar aqui na acomodação (Mason des Cedres). Muito legal quando uma das organizadoras me chamou de “Alin Crrrrristina MarrrrrinÔ”. Foi o mais francês que eu já pude chegar. Antes disso, porém, conhecemos o gerente, um galeroso (não sabia que na Suíça tinha mano também) que não sabia falar inglês (oi?). O cara é uma exceção aqui na Suíça, pois é extremamente mal educado. Depois no encontramos com as organizadoras e pegamos o metrô e o trem até o campus da Unil, que é muito longe daqui.

Estamos no bairro de Ouchy, que seria tipo o South Bank de Brisbane ou algo como Ipanema ou Leblon no Rio. É o bairro das barcas (barcas chiques), do lago, do museu olímpico, do parque, dos hotéis, das patisseries e mais a frente, temos a praia de Bellerive (praia de lago). O lago é enorme e se vc atravessar de barca, dá pra chegar na França. O inconveniente é ser muito longe da universidade e um pouco afastado do centro.

No primeiro dia, na Unil, teve um café da manhã com apresentação da universidade, do curso, das pessoas. Tivemos uma aula de segurança no lab, o que foi inútil, porque depois eu vi que o povo do lab nem jaleco usa.Depois conhecemos os mentores, mas, como eu suspeitava, a minha não estava lá, apenas a post doc, Christine, com quem me correspondi. Eu estava com muito medo do pessoal ser enjoado, principalmente a Christine, com quem eu vou me relacionar mais. Mas não precisou de um dia, para que essa imagem se dissipasse. A Christine é francesa de Toulouse, mas fala bem inglês e é uma fofa. No dia seguinte é que eu fui conhecer a group leader, Dr Liliane Michalik, que também é francesa. Fiquei morrendo de medo, pois ela tinha horário marcado comigo e ela não tinha ido lá me receber. Mas assim que eu entrei, ela foi uma fofa também, só perguntou se eu tinha chegado bem, se eu tava gostando, onde eu estava hospedada, essas coisas. Aí ela esclareceu o que eu já suspeitava, que ela não fica mais na bancada, acaba se dedicando mais em escrever, orientar, dar aulas, essas coisas, e que eu ia ficar sob a supervisão da Christine. Nessa hora eu me lembrei da Fiona, minha orientadora da Austrália, que se desdobrava pra ficar em cima dos estudantes no lab, porque ela não queria largar a bancada de jeito nenhum.

No sábado, fomos a excursão para os alpes, onde escalamos mais de 1200 metros de altitude no monte Grammond. Hoje, todos os músculos da minha perna doem, mais valeu a pena. A vista é impressionante, o caminho é muito lindo, com todas aquelas flores e arbustos. Acho que fotos não fazem jus. Até o lago Taney, a trilha foi no meio da floresta. Depois, subimos a montanha até o topo, onde passamos por fazendas, campos e eu vi a neve pela primeira vez!!! Mas ao contrário do que o senso comum acha, não estava frio, na verdade estava bem quente! Só esfriou mesmo na volta.

Escalar foi uma experiência incrível, que todo mundo deveria tentar. Eu, a sedentária mor, sempre ficava por último, por isso quase não tenho foto com o grupo de pessoas. Teve momentos em que eu ficava extremamente tonta, com náuseas e ofegante. Acho que nunca bebi tanta água de uma vez. Eu nunca achei que eu conseguiria chegar até o topo da montanha. E eu cheguei. Em pequenos passos e por último (nessa hora todo mundo aplaudiu). Mas cheguei. E assim é na vida, não importa o quanto você demore para conseguir o que quer, o que importa é ir atrás.

No fim da caminhada, de volta ao lago Taney, nós comemos um banquete de Raclette, regado a muito vinho branco. Raclette é um prato onde vem queijo gruyere derretido e você pode colocar batata, aquela cebola pequenina, mini picles, pão e frios para acompanhar. Uma delícia. E o melhor: tudo de graça! Pago pelo curso!

Não tem nem uma semana que me encontro em Lausanne, mas com certeza essa foi a melhor decisão da minha vida. Juntamente com ir para Austrália, claro. Por isso, sempre incentivo quem quer fazer intercâmbio, ciência sem fronteiras, etc. O mundo não é, nunca foi e nunca será o nosso quintal.

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Hora de Recomeçar

1 jul

Depois de quase um ano sem postar, eu volto. Volto para falar da vida que continua sem fronteiras. Recebi muitos feedbacks positivos das pessoas e fiquei muito emocionada com eles. Nunca tinha imaginado que essas besteiras que eu escrevo iam tocar tanta gente. Mas essa é a internet, né?! Nesse meio tempo, incentivei muita gente a se inscrever no CsF. E tentei curtir a minha volta. Mas agora um novo cenário entra em jogo. Eu vou a mais uma aventura sem fronteiras: a Suíça. Calma, vou começar do começo.

Antes, uma coisinha: esse texto não é sobre a Suíça, nem sobre a Europa. É sobre planos que mudam, encontros que não acontecem, sonhos que mudam. O começo de tudo isso foi a Austrália. Mas essa parte vocês já conhecem. Depois, teve a volta, um baque, um balde de água fria. E aí a reorganização. Como quando ocorre uma reação, um composto se quebra, mas as moléculas tem de se reorganizarem. Elas simplesmente tem. Enquanto eu passava o ano novo reorganizando a casa, os pensamentos, me afastando de pessoas, me aproximando de outras, me planejando, no Carnaval, eu passei pensando sobre como tudo que eu tinha planejado para o ano de 2013 poderia mudar radicalmente.

Era uma festa na 2a de carnaval. Eu fui com João, meu amigo do coração do CsF, e os amigos dele pra essa festa no Catamaran. Não sei se foi a bebida, os coqueiros iluminados, os barcos atracados ou a vista incrível, mas era como se eu tivesse um daqueles momentos inexplicáveis de felicidade instantânea. Ao fundo, tocando Rita Lee com Lança Perfume. E aí tive a certeza: tudo pode mudar. A vida não é imutável.  Em apenas um segundo, tudo se transforma. Bom mesmo é se reinventar.

Quando recebi a resposta, as pernas tremeram. E eu tive a certeza que tudo iria mudar. E agora, o frio na barriga nessa segunda feira nublada no Rio, pós final de Copa das Confederações, em época de manifestações, véspera de viagem. Um encontro que não aconteceu. E eu, que passei o início de ano planejando os mínimos detalhes, não sei nem o que vai acontecer hoje. Melhor parar com as expectativas. Melhor deixar de planejar. Hora de recomeçar.

PS: Postarei sobre o que vou fazer na Suíça em breve.

All dressed up in love

22 jul

Pouco mais de 24 horas após a minha chegada, cá estou eu no sofá da casa de vovó assistindo o filme do Sex and the city. Há algum tempo, meu amigo Álvaro me perguntou como seria o post final do meu blog. Respondi que seria algo como o final desse filme: sobre amor e como ele transforma a nossa vida (e Jennifer Hudson gritando “and I found looooooove”)

Falo de amor, mais do que o romântico, mas entre amigos e entre a família. E entre as pessoas em geral. Antes mesmo de ter viajado, tive experiências em que pessoas não próximas me ajudaram direta ou indiretamente. E agora, mais do que tudo, eu acredito nesse tal de amor.

Eu vi amor nas minhas amigas asiáticas que foram ao jantar do Treasury Casino e me desejaram tudo de melhor naquele abraço na Queen Street. Eu vi amor na Sincere, que queria me ver todas as noites antes de eu ir embora. Eu vi amor no meu amigo Alvaro, quando se despediu de mim numa fria noite em Sydney. Eu vi amor no meu amigo João que foi comigo no aeroporto e carregou minha mala. Eu vi amor no Mike quando ele soltou minha mão no aeroporto de Brisbane.

Parece que tudo foi um sonho quando, de repente, acordo na cama do meu quarto na casa de vovó e aquele meu quartinho pequenino da Urbanest não está mais lá. E agora estou aqui, vendo Sex and the City, como muitas vezes fiz desde que esse filme foi lançado. E chorando com Mr. Big abandonando Carrie no altar.

Ao contrário do que eu disse ao meu amigo, eu ainda não estou na parte em que tudo dá certo e Jennifer Hudson solta voz. Estou meio na parte que ela foi abandonada mesmo. No final, eu e Mike não estávamos dançando a mesma música. A minha vida dos últimos 5 meses virou lembrança. Mas eu sei que vou chegar no all dressed up in love. Porque, no fim, eu sei que é. E o que me faz sentir nem que seja um pinguinho de felicidade é todo esse amor que eu recebi. E mesmo depois de tudo, eu ainda fiz um post sobre o amor.

My tears dry on their own

16 jul

Saí hoje do PA hospital com uma certeza: a felicidade pode existir mesmo quando se diz adeus às coisas que se ama. Há um mês sofro com a despedida. Não sei dizer adeus sem chorar. E vivo com aquela dúvida sobre o que é melhor: ter a chance de se despedir das pessoas e coisas que se gosta ou tudo ir se acabando sem que nos demos conta. Se por um lado podemos nos dar conta da mudança, por outro sofremos porque nos apegamos a tudo aquilo que nos é familiar. Ok, momento Martha Medeiros inspired off.

O que aconteceu com essa experiência louca, feliz e intensa de vir pra Austrália é que, no fim, foi uma aventura e um desafio. Chorei, ri (e chorei de rir), conheci pessoas maravilhosas, aprendi muito sobre a vida e nossos encontros e desencontros, encontrei o amor (dos amigos e do boy). Por isso mesmo, o último mês foi encoberto por uma nuvem negra chamada sofrimento por antecipação. A dor dessa despedida que rondava todos meus passos, meus encontros, meus afazeres. E aí, na última semana, eu entendi: we must let it go. Let it be, como diria a música dos Beatles.

O adeus precoce ao Mike há quase 2 semanas me fez perceber que não adianta nem sofrer antes e nem adiar a despedida. A mudança é inevitável. As pessoas não duram para sempre. E nos últimos dias, meus dias foram alegrados por pessoas maravilhosas, como o Alvaro (companheiro de CsF em Sydney, onde vivemos 4 dias doidos), Sincere (minha melhor amiga da Austrália, que também no sofrimento de dizer adeus para mim, resolveu que tem que me ver todos os dias), João (vizinho e CsF, com quem compartilho as fofocas e risadas na hora do jantar e os filmes que sempre dizemos que vamos assistir mas nunca assistimos). E hoje de manhã, o pessoal do laboratório que me levou para tomar café da manhã acompanhado de boas risadas.

E aí vemos, que, mesmo com o adeus, a maior sorte mesmo foi encontrar essas pessoas no caminho. E me sentir livre. Livre e especial. Porque o bom da vida é mudar.

Sincere e eu!

João e eu no museu!

Povo do Lab!

Alvaro e eu!

Sobre finais felizes/About happy endings

11 jun

Outro dia me deparei com um post no Facebook de uma amiga perguntando o porquê da vida não ser como os filmes. Aí lembrei-me da professora Helena, de literatura do colégio, que dizia que os filmes nada mais eram que um grande parêntesis na nossa vida. A gente dá um pause na vida, para de pensar nos afazeres cotidianos, nas pessoas, no que foi dito ou feito e no que está por vir para sentar por cerca de duas horas e assistir uma história que não é a nossa.

Pode ter guerra intergalática, seres de outro planeta, animais falantes, personagens históricos, perseguições, mulheres modernas, príncipes encantados… Qualquer absurdo que tenha verossimilhança. E quanto mais diferente da realidade, melhor. E a gente se encanta e se emociona com as histórias. Até as luzes do cinema acenderem e nossos olhos voltarem a encarar a realidade. É a fome que bate, o ticket do estacionamento, a hora de ir pra casa.

E aí nas nossas histórias cotidianas ficamos pensando: porque não é como nos filmes, onde tudo é mais fácil e o final, invariavelmente, feliz? Quando esta pergunta se aplica a nossa vida amorosa, a coisa fica pior. Eu, minha amiga da frase no Facebook e mais algumas milhões (ou bilhões) de pessoas temos o vício de romance. E daqueles bem água com açúcar. E sonha em finais felizes, tipo esse aqui:

Nessa necessidade de ser amado, o mínimo sinal de “não amor” (ou o que for interpretado dessa forma) no outro indivíduo é capaz gerar crises. E depois, no dia seguinte, de resultar em pensamentos: “por que foi que fiquei tão triste com uma besteira dessa?”. E aí eu destaco uma grande vantagem da vida real em cima dos filmes: a nossa capacidade de se reinventar. Sempre podemos começar de novo, viver outras histórias, nos transformar… E ainda não inventaram um filme que fizesse isso.

English Version (very bad one):

One day, I saw a post on my friend’s Facebook asking why life is not like the movies. It reminded me my literature teacher in school who liked to say that movies was just a huge parenthesis in our lives. We pause our life, stop thinking about the day, the people, about what was said and done only for seating for 2 hours or so to watch a story that is not ours.

It could show intergalactic war, aliens, talkative animals, History characters, chasing, modern women and prince charming… Any absurd with some likelihood. The more different from reality, the better. And we fall in love with the stories. Until the lights turn on and our eyes face the reality. Hungry, parking lot ticket, time to go home.

And then in our life we keep thinking: why it is not like the movies, where everything is easy and the end is happy? It is worse when this question is about our love life. My Facebook friend, millions (or billions) of people and me are addicted to romance. And the sweet ones. and dream about happy endings, like that one (photo).

In this need to be loved, the smallest sign of “non-love” (or the interpretation of that) in the loved one is capable of creating a crisis. And then, in the following day, the result is the thought: “why was I so sad with such a silly thing?”. And that is a great advantage of the real life compared to the movies: the capacity of recreating ourselves. We could always start agains, live other stories, change ourselves… And they have not invented such movie.

O começo do fim

6 jun

Nunca aprendi a dizer adeus. Muitas vezes chorei por não ter me dado conta de que era última vez que fazia algo ou via alguém. Às vezes nem percebia que era a última vez. A rotina com sua repetição de tarefas parece ser tão fixa que a gente não se dá conta que, na verdade, tudo passa. As pessoas passam, os momentos passam, o que se fazia todos os dias tem sua última vez. Até o último suspiro.

Embora algumas coisas acabem bruscamente e as mudanças venham, outras vão aos poucos se dispersando, como manteiga derretendo ao sol. Agora,  é perceptível o começo do fim. Não sei o que é melhor, arrancar logo o esparadrapo de uma vez só ou ver tudo se esvaindo aos poucos. A universidade vazia, a rotina mudando, as provas se aproximando…

O tempo não poupa ninguém. Do mesmo jeito que há quase um ano eu pensava na possibilidade de conseguir uma bolsa do Ciência sem Fronteiras, eu agora penso em como essa experiência serviu de aprendizado e amadurecimento. Ganhei conhecimento de coisas que achei que nunca iria aprender, vi que o mundo molecular é lindo e fascinante e explica o mundo sistêmico, tive aulas com professores-cientistas nos ensinando como pensar como um, chorei de saudade de ter deixado o Brasil e de ter que deixar a Austrália (e chorarei ainda mais), aprendi outras culturas, fiz amizade com pessoas diferentes (tão diferentes e tão iguais), vi lugares paradisíacos.

É o começo do fim. Preciso começar a me despedir dessa realidade. Vou ter que dar stop na vida que eu construí aqui e dar play na minha vida que ficou pausada no Brasil. Preciso me desacostumar a fazer as coisas que fazem parte do meu dia-a-dia: pegar o ônibus, ir a universidade, ir ao UQDI, assistir filmes no South Bank cinema, caminhar até a cidade no fim de semana, comer comida chinesa de verdade em Sunnybank, passear pela Queen Street, tomar uma cerva (uma mesmo, que aqui é muito caro) no West End, tomar um último café na faculdade, namorar um cara ótimo… Esses pequenos acontecimentos na nossa vida, que a gente pensa que nunca vai ter um fim. Mas tem.

 

PS Este post é presente para quem segue o blog ou lembra de entrar aqui com uma certa frequência, pois não divulgarei no Facebook.

Morando sozinho

28 maio

Para muitos, a experiência do Ciência sem Fronteiras também é a primeira experiência de morar sozinho. E mesmo para os mais experientes, uma nova variável é adicionada: morar sozinho em um país estrangeiro. Isso implica em não ter uma lavanderia dentro do apartamento, ter que cozinhar, fazer faxina, fazer supermercado (onde os produtos são diferentes), conviver com os housemates… E é aí que nós, pobres estudantes, vivemos entre máquinas jorrando água com sabão e macarrão com salsicha.

Um pobre CsF anônimo, foi fazer suas 1as compras de supermercado, e ao comprar o básico para sobrevivência de qualquer estudante (macarrão, carne moída e molho de tomate), resolveu fazer sua própria comida para o jantar e almoço no dia seguinte (comer na universidade é muito caro). Foi fazer sua carne moída no molho de tomate quando, de repente, sentiu um cheiro de queimado. Foi até a cozinha e lá estava a panela queimada e o mau cheiro. Eis que esta blogueira que vos escreve vai ao socorro do rapaz no dia seguinte, para ensinar-lhe a fazer uma carne moída. Quando olho a lata de molho, o diagnóstico: tomato soup!!! Igualzinha a do Andy Warhol… O coitado já começou com os ingredientes errados e terminou por deixar a carne na panela sem mexer…

Usar uma lavanderia coletiva, no início, é tarefa para poucos. Aí os TOC de plantão vão perguntar: “Mas, Aline, máquina que todo mundo põe a roupa não é nojento?” Sim, senhores, bastante. Mas a secadora é pior porque a sujeira fica grudada no filtro… E eu não sei de vem tanta sujeira, se a porcaria da roupa deveria estar limpa, mas ok. Na máquina tem dois lugares de colocar moeda: uma pra máquina e uma pra secadora, até eu descobrir isso, perdi alguns dólares. A cada vez que lavo roupa preciso levar 4 coisas:

1 – A roupa

2- As moedas

3- O sabão em pó

4- O cartão magnético/chave do apto

O que acontece quando eu esqueço uma dessas coisas? De baixo pra cima:

4- Fico trancada do lado de fora… é uma bosta, tenho q pedir pra alguém da recepção vir abrir.

3- Normalmente eu só percebo que esqueci esse item depois que enfiei todas as roupas na máquina, ou seja, nunca volto pra pegar o que me faz usar algum sabão em pó que esteja dando sopa na lavanderia. O problema foi quando eu usei o líquido e acabei colocando um pouquinho a mais e aí, já sabem, meio que inundei a lavanderia com água de detergente. Dava até pra brincar de escorregar no sabão… Peguei minhas roupas botei em outra máquina e fingi q não era comigo hahahaha (a água ia secar de qualquer jeito).

2- Malditas moedas… Essa eu tenho q voltar pra pegar. A não ser o dia que uma alma caridosa me deu 1 dólar no elevador.

1- Porra, nem sou tão esquecida assim!

E para encerrar o item roupa: CsF anônimo queimou metade das blusas tentando passar roupa… Ainda bem que eu não faço isso! Rááá

Outro desânimo para nós, pobre estudantes, perdidos no 1o mundo, é arrumar nosso cafofos. Eu, que não divido o quarto com ninguém tem total liberdade e privacidade de… fazer bagunça!!! O pior é que fica cada vez pior, por que a preguiça chama preguiça e quando a gente vê, a bagunça saiu do nosso controle. Mas eu ainda acho que existe um monstro da bagunça, uma espécie de bicho papão pós puberil, que invade nosso barraco a noite e joga nossa roupas no chão, deixa a louça acumulada no cantinho da mesa, a toalha molhada em cima da cama… Tem Csf anônimo que guarda cueca em cima da TV… Eu, por exemplo, comecei a ver o fato do Mike vir pra cá no fim de semana um incentivo para realizar  a arrumação, ou como ele diz, colocar a bagunça em um nível aceitável. Mas, como diria minha housemate Miranda, se ficar limpo demais não parece um lar, parece mais um hotel. E eu tenho que concordar… Casa é aquele lugar que você volta todo dia e o hotel é só um canto que você passa uns dias enquanto está de férias.

Em suma (adoro essa expressão, porque suma parece sumo, que me lembra suco, que não tem natural aqui na Austrália hahaha), além de ter que estudar, temos que lidar com esse pequenos obstáculos do dia-a-dia, o famoso “se virar”. Como diria mamãe: “se vira, tu num é quadrado!”