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Tudo dá certo no final

28 jul

Eu iria para Zurique, acabou que eu perdi a hora. Quando levantei, fiquei puta comigo mesma por dormir demais e não conseguir turistar. Bati na porta da Roxana, e aí nega, bora fazer alguma coisa? Eu queria ter ido ao Castelo de Chillon, o castelo que passamos bem perto mas não entramos. Resolvemos ir, então, ao tal castelo. Pegamos o trem até Montreaux, uma cidade lindinha e de lá teoricamente teríamos que pegar um barco até o castelo. Porém, por livre espontânea pressão fui andando. Mais ou menos 1 hora de caminhada, mas o cenário é belíssimo. De um lado, o lago, de outro casas maravilhosas. E o caminho, cercado por árvores e flores. Chegando ao castelo, entramos e tinha até um panfleto em português falando sobre o castelo. O tal lugar pertenceu a casa de Savoy do século XI ao século XVI. Um dos prisioneiros, que passou 6 anos no castelo, quando libertado pelos bernenses que haviam tomado a propriedade, escreveu sobre sua estada em forma de crônicas. Tempos depois, ele ficou famoso, pois tantos os escritos dele, quanto o castelo, foram revisitados pelos autores do Romantismo, como Lorde Byron e Lamartine. Rousseau também escreveu sobre o castelo. Uma história, no mínimo, curiosa.

Depois fomos até a praia do outro lado de Montraux, mas dessa vez fomos de trem. Passamos a tarde lá e depois voltamos. Resolvemos alugar umas bicicletas e Qing, nossa roomate se juntou a nós. Pedalamos até a universidade, que fica fora de Lausanne, em St Sulpice. Na volta, o melhor: vimos uma banda tocando em Ouchy, que é aqui perto de onde a gente mora. Resolvemos dar uma olhada. Qing voltou pra casa, pois os chineses podem até comer a nossa comida, falar inglês, mas são bem tradicionais quanto a música e filmes. Ou seja, são pessoas que não conhecem os Beatles, por exemplo. Eu tomei umas cervejas e nossa noite terminou assim:

Adoro quando não planejo e tudo dá certo no final.

 

Pequenos curta metragens

16 jul

Coisas que acontecem em alguns segundos.

Número 1 – Sexta-feira. Sentada no bar do clube mais famoso da Suíça (pelo menos foi o que me disseram). A sola dos pés dolorida. Eu brinco com o gelo restante no copo com um canudinho preto. Reflito sobre as propriedades da água. Olho em volta, pessoas se pegando, pessoas bebendo, pessoas dançando. Exatamente como é em Tóquio, Paris ou São Paulo. No fundo, o grupo da epfl e as duas chatonildas da Unil*, que me fizeram correr de salto. Todo mundo pulando naquela música de um tom só. E eu ali, que paguei 25 francos, para saber como era a melhor boate da Suíça, sentada no bar. Velha demais pra isso.

Número 2 – Sábado. Montreaux. Era para eu ter ficado no festival de música. Mas decidi sair andando atrás do tal castelo. Anteriormente havíamos andado um bocado na direção errada. E uma das garotas, que já estava de mal humor, queria matar todo mundo. Com certeza, psicótica. Psicótica mesmo. Num grupo de 20 pessoas, pelo menos uma tem que ser (eu acho). E a tal garota era estranha desde o primeiro dia. Toda conversando com todo mundo como se fosse melhor amiga. Depois, aquela mania chata de grudar e nunca sair sozinha. Ainda bem que comigo ela viu que o chiclete não gruda. Esvaziando a mente de pensamentos sobre a tal garota, voltei a me concentrar no castelo. No final, sobramos eu, Roxana e o chinês que não consigo nem escrever e nem pronunciar o nome. Chegamos quase no castelo, quando Roxana viu que íamos perder o horário. Dali, ela tinha que ir falar com o namorado no Skype e eu e todos ou outros tínhamos planejado ir ao filme de graça no parque. Não chegamos ao castelo. 

Número 3 – Domingo. Lac Léman. Dia da tomada da Bastilha. Fomos ver os fogos na praia, com direito a churrasco. Quando a queima de fogos começou, precisávamos de um microscópio para ver. Era longe. Do outro lado do lago, na cidade de Evian, na França. Mesmo assim, enquanto todos os outros desistiram, ficaram apenas Irene, Constanza e eu. Fazia frio. Nós dividíamos uma toalha, que logo virou um cobertor. E não demos uma palavra. Mesmo longe, era tão perto. O dia da tomada da Bastilha. Era revolução.