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Feel free

27 mar

Desde que cheguei, tenho feito amizade com vários chineses. Primeiro, porque aqui eles são muitos, segundo, porque embora tenhamos um mundo de diferenças, eles também são estudantes internacionais e sentem as mesmas dificuldades. Fazer esse tipo de amizade é muito interessante, porque eu vivo aprendendo com eles. Aprendo outra cultura, outro modo de viver, outra culinária…

O jeito que conheci a Sincere foi muito engraçado. Uns 20 dias antes de eu viajar, comecei a procurar no Facebook as páginas da UQ pra curtir (maníaca mode on). Assim que curti uma das páginas, apareceu meu nome na lista dos que curtiram e logo depois a Sincere me adicionou e começou a conversar comigo. Olha só que jeito estranho de conhecer alguém! Agora é muito engraçado porque além de eu aprender com ela, ela fica o tempo todo me perguntando como os ocidentais fazem determinada coisa. Eu nunca tinha parado para pensar nesse lado ocidental/oriental.

Mais coincidência ainda, foi no curso de writing for academic communication nos encontrarmos de novo sem uma ter dito a outra que ia fazer o curso. No curso, promovido pelo ICTE da UQ para estudantes internacionais, fizemos amizade com outro chinês, o Raymond. E foi numa saída pra jantar comida asiática acompanhada de uma cerveja depois, que comecei a entender o modo de vida dos chineses.

Embora abertos para o mundo, produzindo quase tudo que utilizamos, a China ainda mantem o regime comunista ditatorial dentro do país. Até aí, aprendemos em qualquer aula de história. O que a gente não aprende na escola é como a situação política/econômica do país pode influenciar pequenas coisas do dia-a-dia de cada um. Assim como seu regime de Estado, os chineses são muito fechados ao que é ocidental, preservam muito suas tradições e sempre seguem regras. Eles estabelecem para si mesmos regras para tudo. Desde planejar uma viagem (que deve ser minimamente planejada), ao que vão comer no jantar, passando por calcular uma saída com os amigos.

Tanto Sincere, quanto minha vizinha Miranda, calculam cada segundo de uma saída, pois morrem de medo de se perderem. Elas não podem voltar tarde para casa, mesmo morando muito longe dos pais. Raymond brincou comigo no jantar porque eu estava comendo noodles (tipo yakissoba, só que preparado de um jeito muito melhor) de garfo como se tivesse comendo espaguete. Ele disse que se eu fizesse isso na China, todo mundo ia me olhar estranho. Aliás, descobri que comida asiática é muito mais que China in Box (china norte para os acreanos), sushi e temaki. É um mundo de sabores, especiarias e cheiros que realmente os ocidentais não tem sensibilidade de apreciar.

Nesse mesmo dia do jantar, não deixamos Sincere ir embora. Raymond, que é de Hong Kong, é o mais ocidentalizado dos chineses, além do que já mora aqui há algum tempo. Passamos em um barzinho simpático e entramos para uma cerva. Boa música, boa cerveja, e Sincere achando aquilo tudo muito diferente para ela. Pelo que ela disse, na China, “meninas de boa família” não frequentam bares. E aí Raymond disse a ela: “Feel free. Just feel free.” Aqui, eles não precisam seguir regras. Nem criar regras para si mesmos. E eu completei: “don’t you worry, about a thing, cuz every little thing is gonna be all right”. Logo depois, o cantor do barzinho cantou essa música. Nós só nos olhamos e brindamos.

Foi aí que percebi que não só os chineses devem se sentir livres. Eu também tenho que levar essa lição para mim. Embora eu pareça a descolada para os chineses, eu não sou. Vim com medo de não acompanhar as aulas, de me perder, de fazer perguntas idiotas sobre a matéria, de não conseguir apresentar trabalho em inglês, de não me adaptar… Tanto medo disfarçado na minha coragem. Aqui, é preciso se sentir livre. Just feel free.

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Um dia de chef…

4 mar

Depois da noitada de sexta eu precisava de algo bem calminho pro meu fim de semana. Sábado fui ao International student big welcome, na King George Square. A praça estava cheia de barracas dando vários brindes para os estudantes. Depois, encontrei com a Sincere, que é chinesa e também estuda na UQ (mas faz mestrado em Recursos Humanos) e fomos almoçar em um restaurante chinês bem próximo. O lugar era bem chinês mesmo (não como china in box ou coisa do tipo) e fiquei bem perdida nas opções. Acabei comendo um noodles (aquele macarrão chinês de yakissoba) com fillet bem gostoso (acabou ficando tipo um yakissoba mesmo, mas não sei porque eles não o chamam assim). Depois fomos ao supermercado Woolsworth do centro e achamos umas ofertas bem legais (tipo um pacote de Oreo por 1 dólar). Voltei e estudei um pouquinho, apesar de estar morgadérrima.

Hoje eu e Miranda (minha vizinha chinesa) fomos tentar comprar ingressos pro musical Mary Poppins (supercalifragilisticexpialidocious é familiar pra você?), mas todos os ingressos acabaram até o final da temporada! Too bad, não foi dessa vez que consegui ir a um musical. Resolvemos então ir a Sunnybank gastar um pouco do nosso dinheiro em comida. Lá tem o Sunnybank square market, que é um lugar com várias lojas, onde dá pra comprar vegetais, carne, frango bem mais baratos do que no supermercado (como eu falei anteriormente, bem caros). Sunnybank é um bairro asiático, então dá pra andar por lá e arrancar alguns olhares tipo: “de onde essa garota é”. Tem um supermercado pequeno com tudo o que vc imaginar de produtos asiáticos e especiarias.

Só um exemplo de prateleiraespeciarias

Depois voltamos para casa e resolvi cozinhar um salmão assado com batata sautée pra minha amiga chinesa e ver o que ela achava. Pelo jeito ela adorou e acho que não estava só sendo educada, porque no início ela ficou bem desconfiada. Depois de provar, ela ficou dizendo que eu tinha que abrir um restaurante e eu deveria estar fazendo gastronomia. Hoje, foi meu dia de chef…

almocinho

PS: aprendi que filet mignon em inglês é eye fillet! Nada a ver, né… Acabei comprando, mesmo sendo caro aqui, por ser a melhor carne pra se fazer na panela. Quando eu não sabia, fui no supermercado e comprei uma asiática que parecia bem macia, mas quando fiz na panela ficou bem dura hahahahaha

Feels so good to finally have a home!

26 fev

Então, eu acabei com as idas em lugares pra alugar e acabei assinando um contrato aqui mesmo, onde estou, na Urbanest (roubanest)… É bem carinho, mas o lugar é tudo de bom… Fica em Southbank, bem pertinho da city, do parque, das lojas, do museu, do cinema. É considerado o bairro da cultura aqui. Ou seja, tudo de bom. Tem estação de ônibus e trem perto e o busão direto pra universidade demora uns 10 minutos só (bom pra mim, q vivo atrasada), além de ter vários pro hospital. É uma acomodação estudantil, um quarto pequeno, com suíte, ar condicionado e uma cozinha dividida com mais 4 pessoas. Agora já conheço todas as minhas vizinhas e elas são bem legais.

Hoje de manhã já fui fazer minha grocery shopping no Coles do West End com minhas novas vizinhas. Se eu tivesse mais tempo pra olhar acomodação, com certeza esse seria um bairro ótimo. Tem várias lojas e um mercado pra comprar frutas e verduras orgânicas bem legal. O Coles é uma das maiores redes de supermercados aqui. Essa loja do West End, segundo as meninas, é a mais barata. O mesmo supermercado aqui pode variar muito de preço. Por exemplo, o Coles da city é bem caro, mas nesse de West End eu comprei uma porção de comida congelada e material de limpeza e paguei 50 dólares. Na city, comprei só 2 caixas de biscoito, um ice tea, um hidratante nivea e deu 20 doletas!

Minhas vizinhas são quase todas asiáticas (uma japonesa, 2 chinesas) e a outra é aussie mesmo (de Melbourne). A aussie parece meio metidinha, mas as outras são bem legais. A japonesa é mais velha, está fazendo mestrado em artes na UQ e já morou em várias partes do mundo. As outras duas chinesas são bem novinhas, uma tem 19 e está começando a faculdade agora, mas fez o ensino médio aqui na Austrália. A outra chinesa é mais caladinha, mas me emprestou a ecobag dela pra eu carregar as coisas do supermercado.

Não sei se já comentei aqui, mas a cidade tem muitos imigrantes de modo geral e especialmente asiáticos. Eles estão em toda parte, são bem legais e entendem todo o processo de morar fora. Mas, às vezes, o inglês deles pode ser bem ruim.

Em relação a compras aqui, tudo é bem caro, mas às vezes dá pra economizar. O K-mart, que é tipo a Loja Americana no Brasil, vende coisas bem baratinhas. Comprei tudo (tudo mesmo) de material escolar por 12 dólares. Tem umas loas de conveniência aqui, uma bem pertinho é a Seven-Eleven, e eles vendem sanduíches prontos e toda sorte de lanchinhos. O sanduba é enorme e varia entre 5 e 8 dólares. Eu, por exemplo, comprei o de 5 e comi no lanche da noite e no café da manhã, ou seja, cada refeição saiu por 2,50!!! Mas essa não é a regra aqui. Na universidade, por exemplo, você não consegue comer por menos de 10 dólares.

Aliás comida é o que mais estranho aqui. Os aussies não almoçam, só comem qualquer coisa na hora do almoço. Aqui não tem como almoçar mesmo, até porque tenho aulas que começam meio dia ou 1 hora da tarde. Na uni, não tem bandejão. E eu tô nessa batida, a diferença é que eles jantam e eu não, porque eu não sei cozinhar hahahahahahaha #saudadedoRU #saudadedoselfservice

Bom, é isso, agora que resolvi meu problema de casa, arrumei meu quartinho, tirei tudo das malas, agora dá pra aproveitar melhor! Its just feels so good to finally have a home!!!