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Genebra, ONU, etc

28 jul

Como eu só estou conseguindo postar 1 vez por semana, o post vai ser longo. E vou falar de muita coisa junta.

Durante a semana, trabalho no lab, o que é sempre uma coisa que amo fazer. No fim do dia, sinto aquele cansaço de fim do dia, mas nunca exausta, sempre com uma leve satisfação. Dou sorte em muitas coisas que faço, até agora nenhum experimento deu errado (bom, não totalmente) e mesmo que eu não esteja tendo os resultados que eu queria, pelo menos eu tenho resultados ráaaa!

Aí nos fins de semana eu tenho tanta coisa pra fazer, tipo sair por aí pra conhecer os lugares, enquanto a pilha de louça e a a roupa para lavar me esperam. Vida de dona-de-casa + turista + estudante não é mole! Anyway, fui para Genebra e conheci a sede da ONU, o que definitivamente foi o ponto alto da viagem. Tomou a manhã toda, mas valeu a pena.

O Palácio das Nações Unidas fica dentro de um parque que pertenceu a uma família riquíssima de Genebra. O último herdeiro não teve filhos e doou o parque a cidade. Uma parte do parque é aberta ao público e a outra, onde se localizam os prédios da ONU, é fechada, claro, pela segurança. Ao entrar, passamos pelo raio x até a mesa onde pedimos pela visita guiada. A visita em grupo é necessária para adentrar nos prédios. A nossa guia era uma italiana alta, de cabelos curtos, falando um ótimo inglês e muito simpática. Ela nos levou em várias partes, tanto no complexo novo, quanto na parte antiga, onde era a sede da Liga das Nações. Cada parada, uma história. Como as salas precisam ter duas portas para que nenhum país entrem em primeiro, ou como eles precisam alternar a ordem alfabética dos países entre inglês e francês para que nenhum país se sinta prejudicado ao se sentar e quando Irã e Iraque foram lavar sua roupa suja na ONU, eles tiveram que sentar de frente para o outro e não um do lado do outro como de costume (pela ordem alfabética). Muitos truques diplomáticos. Na parte antiga, entramos na sala mais antiga, onde foi a 1a assembléia geral da ONU, antes de construírem a sede em NY e antes de terminarem a parte nova em Genebra, logo no pós guerra. Eu fiquei imaginando como isso teria sido. Os vencedores da guerra promovendo a paz mundial. Depois da visita, com todos esses pensamentos, comecei a conversar com  Roxana, Constanza e Carina, sobre o quão irônico (no mínimo) é a ideologia da ONU e o que a ONU faz na verdade. Conferência sobre desarmamento e todos os países do conselho de segurança são altamente armados.

Mas conflitos políticos a parte, os prédios são verdadeiras misturas culturais. A cada parede um mural, pintura, escultura de diferentes países, dados de presente a ONU. A sede recebe até pavões de presente. Isso porque o último herdeiro da família, dona do parque pediu que o parque tivesse sempre 6 pavões. E que esses pavões seriam imortais. Claro que eles não o são, assim a ONU precisa repor os pavões sempre (às vezes eles são devorados pelas raposas, segundo a guia) e os países oferecem pavões de presente. Pois é. Só achei muito triste, procurar um presente do Brasil e não encontrar. Bando de pão duro.

Depois da ONU, fomos a um dos parques, almoçamos na grama  (cada um levou sua comida, pra ficar barato). E depois vimos o relógio de flores, o jato d´água e o calçadão na beira do lago, que na verdade, se estreita tanto que parece um rio. Depois fomos até a parte medieval, vimos a catedral, que tinha um sítio arqueológico, com coisas do século V, quando a primeira catedral foi construída. Tinha coisas bem legais, tipo o piso da sala de estar do papa do século V. Depois andamos mais um pouco, tomamos sorvete (eu pedi petit gateau, que aqui chamam de fondant au chocolat, não sei se tem alguma diferença) e fomos embora. Pena que não deu pra ir nos museus. Dia 10 voltarei pois é o dia dos fogos de artificio e também o dia da nossa visita ao CERN!

Domingo, resolvi descansar. As meninas foram pra Bern, eu até disse que iria, mas estava mega cansada (ser turista cansa). Além do que, eu tinha que lavar roupa, cozinhar e descansar para a semana! Acabei indo na praia aqui perto mesmo, só para tomar um sol e não desperdiçar o dia ensolarado (hoje deu bem uns 30 graus fácil).

Hoje tive a sensação que o tempo está voando. Quase 3 semanas aqui! E eu ainda queria visitar tantos lugares, porém não vai ser possível tendo somente os finais de semana para viajar. É aquela sensação de se estar perdendo algo. Se trabalho mais, parece que não estou aproveitando o suficiente. Se me divirto mais, parece que não estou trabalhando. Muito estranho.

PS.: Esse texto teve o propósito somente de jogar uns pensamentos, da maneira mais organizada que eu encontrei, mas sem um tema definido

Fachada

Fachada

Uma das sala de reuniões

Uma das sala de reuniões

Prédio da antiga Liga das Nações

Prédio da antiga Liga das Nações

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Outra sala de reunião

Chafariz

Chafariz

Fachada

Fachada

O mundo não é o nosso quintal

7 jul

A viagem foi longa. Até Portugal, foi algo como 9 horas. Aí ainda teve a fila na imigração, depois espera para o avião para Genebra. De Genebra, o trem para Lausanne foi um pouco traumático, pois o povo só faz falar francês e não há nenhuma informação sobre horários. Cheguei a estação principal de Lausanne e ainda fui para o metrô para chegar aqui em Ouchy. E depois andar uns 15 minutos até a acomodação, que também não tem sinalização alguma. Isso tudo com 2 malas. Aí chegando aqui, depois de tudo isso, eu nao sabia como pegar a chave (isso porque eu não li o email rs) e fiquei uns 20 minutos pensando na vida. Como se não bastasse, começou a chuviscar. Era a droga da lei de Murphy, me dando boas vindas.

Até que a Irene e a Roxana me encontraram e me mostraram tudo (ufa). A Roxana foi um anjo na terra e ainda me ajudou a carregar a mala por 5 andares (elevador quebrado), além disso ela é minha roomate. No fim, uma viagem de mais ou menos umas 15 horas, duas malas e pés inchados terminou com uma boa noite de sono.

No dia seguinte foi a apresentação do curso. Eles vieram nos encontrar aqui na acomodação (Mason des Cedres). Muito legal quando uma das organizadoras me chamou de “Alin Crrrrristina MarrrrrinÔ”. Foi o mais francês que eu já pude chegar. Antes disso, porém, conhecemos o gerente, um galeroso (não sabia que na Suíça tinha mano também) que não sabia falar inglês (oi?). O cara é uma exceção aqui na Suíça, pois é extremamente mal educado. Depois no encontramos com as organizadoras e pegamos o metrô e o trem até o campus da Unil, que é muito longe daqui.

Estamos no bairro de Ouchy, que seria tipo o South Bank de Brisbane ou algo como Ipanema ou Leblon no Rio. É o bairro das barcas (barcas chiques), do lago, do museu olímpico, do parque, dos hotéis, das patisseries e mais a frente, temos a praia de Bellerive (praia de lago). O lago é enorme e se vc atravessar de barca, dá pra chegar na França. O inconveniente é ser muito longe da universidade e um pouco afastado do centro.

No primeiro dia, na Unil, teve um café da manhã com apresentação da universidade, do curso, das pessoas. Tivemos uma aula de segurança no lab, o que foi inútil, porque depois eu vi que o povo do lab nem jaleco usa.Depois conhecemos os mentores, mas, como eu suspeitava, a minha não estava lá, apenas a post doc, Christine, com quem me correspondi. Eu estava com muito medo do pessoal ser enjoado, principalmente a Christine, com quem eu vou me relacionar mais. Mas não precisou de um dia, para que essa imagem se dissipasse. A Christine é francesa de Toulouse, mas fala bem inglês e é uma fofa. No dia seguinte é que eu fui conhecer a group leader, Dr Liliane Michalik, que também é francesa. Fiquei morrendo de medo, pois ela tinha horário marcado comigo e ela não tinha ido lá me receber. Mas assim que eu entrei, ela foi uma fofa também, só perguntou se eu tinha chegado bem, se eu tava gostando, onde eu estava hospedada, essas coisas. Aí ela esclareceu o que eu já suspeitava, que ela não fica mais na bancada, acaba se dedicando mais em escrever, orientar, dar aulas, essas coisas, e que eu ia ficar sob a supervisão da Christine. Nessa hora eu me lembrei da Fiona, minha orientadora da Austrália, que se desdobrava pra ficar em cima dos estudantes no lab, porque ela não queria largar a bancada de jeito nenhum.

No sábado, fomos a excursão para os alpes, onde escalamos mais de 1200 metros de altitude no monte Grammond. Hoje, todos os músculos da minha perna doem, mais valeu a pena. A vista é impressionante, o caminho é muito lindo, com todas aquelas flores e arbustos. Acho que fotos não fazem jus. Até o lago Taney, a trilha foi no meio da floresta. Depois, subimos a montanha até o topo, onde passamos por fazendas, campos e eu vi a neve pela primeira vez!!! Mas ao contrário do que o senso comum acha, não estava frio, na verdade estava bem quente! Só esfriou mesmo na volta.

Escalar foi uma experiência incrível, que todo mundo deveria tentar. Eu, a sedentária mor, sempre ficava por último, por isso quase não tenho foto com o grupo de pessoas. Teve momentos em que eu ficava extremamente tonta, com náuseas e ofegante. Acho que nunca bebi tanta água de uma vez. Eu nunca achei que eu conseguiria chegar até o topo da montanha. E eu cheguei. Em pequenos passos e por último (nessa hora todo mundo aplaudiu). Mas cheguei. E assim é na vida, não importa o quanto você demore para conseguir o que quer, o que importa é ir atrás.

No fim da caminhada, de volta ao lago Taney, nós comemos um banquete de Raclette, regado a muito vinho branco. Raclette é um prato onde vem queijo gruyere derretido e você pode colocar batata, aquela cebola pequenina, mini picles, pão e frios para acompanhar. Uma delícia. E o melhor: tudo de graça! Pago pelo curso!

Não tem nem uma semana que me encontro em Lausanne, mas com certeza essa foi a melhor decisão da minha vida. Juntamente com ir para Austrália, claro. Por isso, sempre incentivo quem quer fazer intercâmbio, ciência sem fronteiras, etc. O mundo não é, nunca foi e nunca será o nosso quintal.

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