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Pequenos curta metragens

16 jul

Coisas que acontecem em alguns segundos.

Número 1 – Sexta-feira. Sentada no bar do clube mais famoso da Suíça (pelo menos foi o que me disseram). A sola dos pés dolorida. Eu brinco com o gelo restante no copo com um canudinho preto. Reflito sobre as propriedades da água. Olho em volta, pessoas se pegando, pessoas bebendo, pessoas dançando. Exatamente como é em Tóquio, Paris ou São Paulo. No fundo, o grupo da epfl e as duas chatonildas da Unil*, que me fizeram correr de salto. Todo mundo pulando naquela música de um tom só. E eu ali, que paguei 25 francos, para saber como era a melhor boate da Suíça, sentada no bar. Velha demais pra isso.

Número 2 – Sábado. Montreaux. Era para eu ter ficado no festival de música. Mas decidi sair andando atrás do tal castelo. Anteriormente havíamos andado um bocado na direção errada. E uma das garotas, que já estava de mal humor, queria matar todo mundo. Com certeza, psicótica. Psicótica mesmo. Num grupo de 20 pessoas, pelo menos uma tem que ser (eu acho). E a tal garota era estranha desde o primeiro dia. Toda conversando com todo mundo como se fosse melhor amiga. Depois, aquela mania chata de grudar e nunca sair sozinha. Ainda bem que comigo ela viu que o chiclete não gruda. Esvaziando a mente de pensamentos sobre a tal garota, voltei a me concentrar no castelo. No final, sobramos eu, Roxana e o chinês que não consigo nem escrever e nem pronunciar o nome. Chegamos quase no castelo, quando Roxana viu que íamos perder o horário. Dali, ela tinha que ir falar com o namorado no Skype e eu e todos ou outros tínhamos planejado ir ao filme de graça no parque. Não chegamos ao castelo. 

Número 3 – Domingo. Lac Léman. Dia da tomada da Bastilha. Fomos ver os fogos na praia, com direito a churrasco. Quando a queima de fogos começou, precisávamos de um microscópio para ver. Era longe. Do outro lado do lago, na cidade de Evian, na França. Mesmo assim, enquanto todos os outros desistiram, ficaram apenas Irene, Constanza e eu. Fazia frio. Nós dividíamos uma toalha, que logo virou um cobertor. E não demos uma palavra. Mesmo longe, era tão perto. O dia da tomada da Bastilha. Era revolução.

O mundo não é o nosso quintal

7 jul

A viagem foi longa. Até Portugal, foi algo como 9 horas. Aí ainda teve a fila na imigração, depois espera para o avião para Genebra. De Genebra, o trem para Lausanne foi um pouco traumático, pois o povo só faz falar francês e não há nenhuma informação sobre horários. Cheguei a estação principal de Lausanne e ainda fui para o metrô para chegar aqui em Ouchy. E depois andar uns 15 minutos até a acomodação, que também não tem sinalização alguma. Isso tudo com 2 malas. Aí chegando aqui, depois de tudo isso, eu nao sabia como pegar a chave (isso porque eu não li o email rs) e fiquei uns 20 minutos pensando na vida. Como se não bastasse, começou a chuviscar. Era a droga da lei de Murphy, me dando boas vindas.

Até que a Irene e a Roxana me encontraram e me mostraram tudo (ufa). A Roxana foi um anjo na terra e ainda me ajudou a carregar a mala por 5 andares (elevador quebrado), além disso ela é minha roomate. No fim, uma viagem de mais ou menos umas 15 horas, duas malas e pés inchados terminou com uma boa noite de sono.

No dia seguinte foi a apresentação do curso. Eles vieram nos encontrar aqui na acomodação (Mason des Cedres). Muito legal quando uma das organizadoras me chamou de “Alin Crrrrristina MarrrrrinÔ”. Foi o mais francês que eu já pude chegar. Antes disso, porém, conhecemos o gerente, um galeroso (não sabia que na Suíça tinha mano também) que não sabia falar inglês (oi?). O cara é uma exceção aqui na Suíça, pois é extremamente mal educado. Depois no encontramos com as organizadoras e pegamos o metrô e o trem até o campus da Unil, que é muito longe daqui.

Estamos no bairro de Ouchy, que seria tipo o South Bank de Brisbane ou algo como Ipanema ou Leblon no Rio. É o bairro das barcas (barcas chiques), do lago, do museu olímpico, do parque, dos hotéis, das patisseries e mais a frente, temos a praia de Bellerive (praia de lago). O lago é enorme e se vc atravessar de barca, dá pra chegar na França. O inconveniente é ser muito longe da universidade e um pouco afastado do centro.

No primeiro dia, na Unil, teve um café da manhã com apresentação da universidade, do curso, das pessoas. Tivemos uma aula de segurança no lab, o que foi inútil, porque depois eu vi que o povo do lab nem jaleco usa.Depois conhecemos os mentores, mas, como eu suspeitava, a minha não estava lá, apenas a post doc, Christine, com quem me correspondi. Eu estava com muito medo do pessoal ser enjoado, principalmente a Christine, com quem eu vou me relacionar mais. Mas não precisou de um dia, para que essa imagem se dissipasse. A Christine é francesa de Toulouse, mas fala bem inglês e é uma fofa. No dia seguinte é que eu fui conhecer a group leader, Dr Liliane Michalik, que também é francesa. Fiquei morrendo de medo, pois ela tinha horário marcado comigo e ela não tinha ido lá me receber. Mas assim que eu entrei, ela foi uma fofa também, só perguntou se eu tinha chegado bem, se eu tava gostando, onde eu estava hospedada, essas coisas. Aí ela esclareceu o que eu já suspeitava, que ela não fica mais na bancada, acaba se dedicando mais em escrever, orientar, dar aulas, essas coisas, e que eu ia ficar sob a supervisão da Christine. Nessa hora eu me lembrei da Fiona, minha orientadora da Austrália, que se desdobrava pra ficar em cima dos estudantes no lab, porque ela não queria largar a bancada de jeito nenhum.

No sábado, fomos a excursão para os alpes, onde escalamos mais de 1200 metros de altitude no monte Grammond. Hoje, todos os músculos da minha perna doem, mais valeu a pena. A vista é impressionante, o caminho é muito lindo, com todas aquelas flores e arbustos. Acho que fotos não fazem jus. Até o lago Taney, a trilha foi no meio da floresta. Depois, subimos a montanha até o topo, onde passamos por fazendas, campos e eu vi a neve pela primeira vez!!! Mas ao contrário do que o senso comum acha, não estava frio, na verdade estava bem quente! Só esfriou mesmo na volta.

Escalar foi uma experiência incrível, que todo mundo deveria tentar. Eu, a sedentária mor, sempre ficava por último, por isso quase não tenho foto com o grupo de pessoas. Teve momentos em que eu ficava extremamente tonta, com náuseas e ofegante. Acho que nunca bebi tanta água de uma vez. Eu nunca achei que eu conseguiria chegar até o topo da montanha. E eu cheguei. Em pequenos passos e por último (nessa hora todo mundo aplaudiu). Mas cheguei. E assim é na vida, não importa o quanto você demore para conseguir o que quer, o que importa é ir atrás.

No fim da caminhada, de volta ao lago Taney, nós comemos um banquete de Raclette, regado a muito vinho branco. Raclette é um prato onde vem queijo gruyere derretido e você pode colocar batata, aquela cebola pequenina, mini picles, pão e frios para acompanhar. Uma delícia. E o melhor: tudo de graça! Pago pelo curso!

Não tem nem uma semana que me encontro em Lausanne, mas com certeza essa foi a melhor decisão da minha vida. Juntamente com ir para Austrália, claro. Por isso, sempre incentivo quem quer fazer intercâmbio, ciência sem fronteiras, etc. O mundo não é, nunca foi e nunca será o nosso quintal.

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